Sinopse: Num frio Domingo de Inverno, Tomas Ericsson, o pastor de uma aldeia está a celebrar a missa a uma pequena comunidade, apesar de estar a sofrer de gripe e de uma lacerante crise de fé. Depois da missa, ele tenta tranquilizar o pescador Jonas Persson que está atormentado pela ansiedade, mas Tomas apenas consegue falar da sua própria relação turbulenta e vazia com Deus. Uma professora, Marta Lundberg, oferece a Tomas o seu amor como consolação pela perda de fé. Mas Tomas resiste ao seu amor tão desesperadamente como ela se entrega mais e mais. O segundo filme de Bergman na trilogia de fé, é uma das menos vistas obras-primas do realizador quando se compara às exibições de “Persona” e “Sétimo Selo”, mas é um dos seus filmes mais pessoais, tanto pela semelhança com acontecimentos passados na sua juventude, como pela crueza da mise-en-scene e dos sentimentos - o uso de monólogos, silêncios prolongados, close-ups extremos, bem como a presença de uma paisagem fria, branca e Invernal, servem para reflectir o vazio da alma de Tomas.
O Núcleo de Programação Cinematográfica e a Mediateca da F.C.S.H., no seguimento do trabalho de produção elaborado nos últimos anos nos Ciclos de CinemaBuster Keaton, Yasujiro Ozu, Westerns de John Ford e Sonhos e Visões irá realizar este mês o "Ciclo de Cinema Os Filmes da Nossa Casa".
O Núcleo de Programação Cinematográfica, em associação com a Mediateca da F.C.S.H., prossegue desta forma com a divulgação da cultura cinematográfica na cidade de Lisboa.
A fórmula que escolhemos – o convite a professores da casa oriundos de diversos departamentos para escolherem filmes e sobre eles escreverem – produziu este programa que intitulámos “Filmes da Nossa Casa”. É uma pequena experiência que desejamos poder vir a reproduzir-se no futuro, chamando à reflexão sobre o cinema os professores e investigadores da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.
Mais uma vez, será editado um catálogo relativo ao ciclo com as respectivas fichas técnicas, sinopses e ensaios críticos elaborados pelas personalidades convidadas para apresentar as sessões. O Catálogo estará disponível para venda nas sessões do ciclo, assim como as edições publicadas anteriormente.
Programação do "Ciclo de Cinema os Filmes da Nossa Casa":
Info: Local:Auditório 1 (1º piso da Torre B) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa Horário das sessões: 21h30 Entrada: Livre Morada: Av. Berna n. 26–C Metro: Campo Pequeno / Praca de Espanha Autocarros: 16, 26, 56 Comboio: Entrecampos
Programação detalhada do Ciclo de Cinema os Filmes da Nossa Casa:
Ficha técnica: Realizador:Charles Chaplin Ano: 1952 País: Estados Unidos da América Duração: 137 min. Cor: P&B Idioma: Inglês Legendas: Português Sessão apresentada por Fernando Cabral Martins
Sinopse: Estamos provavelmente perante um dos mais belos filmes alguma vez realizados. Desde os primeiros momentos que somos capazes de sentir que estamos na presença de um filme feito com o coração, para atingir o coração de quem o vê.
Aquando da sua realização, passada a barreira dos 60 anos e tendo em conta o momento em que a obra foi realizada, no contexto da sua carreira (nesse mesmo ano, viu-se obrigado a abandonar a América devido a suspeitas da sua ligação com o Partido Comunista), Chaplin auto-examinou-se e espalhou na tela todas as suas angústias pessoais, desde o medo da aproximação da morte, a vontade de viver, o amor e, algo de que ele seria a pessoa ideal para falar, o da perda dos seus dons naturais - que no caso de Calvero, o nome da sua personagem, fora o de fazer rir as pessoas com os seus números cómicos.
E é no desencanto optimista (ou no optimismo desencantado) deste palhaço que o filme se centra e nos seduz. Quando salva do suicídio uma bailarina desesperada, Thereza (Claire Bloom), encontra também mais uma razão para se prender à vida, juntamente com todas aquelas que não se cansa de enumerar, que fazem a vida valer a pena.
Mas todo o positivismo de Calvero não consegue disfarçar a sua insegurança perante aquilo que a vida que ainda tem pela frente lhe trás, nem se consegue libertar do declínio da sua carreira.
Mas será que os novos risos de Thereza lhe irão dar o alento de que precisa? A resposta a esta pergunta, não pode ser outra. Quem ainda não viu, que o veja, pois com quase toda a certeza do mundo, irá ficar conquistado...
Ficha técnica: Realizador:Gus Van Sant Ano: 2003 País: Estados Unidos da América Duração: 81 min. Cor: Cor Idioma: Inglês Legendas: Português Sessão apresentada por João Mário Grilo
Sinopse: Baseado parcialmente no massacre do Liceu Columbine, o realizador Gus Van Sant apresenta-nos Elephant, cuja acção se desenrola num dia num típico liceu norte-americano. Seguimos vários alunos nas suas actividades diárias, entre salas de aula, corredores, refeitório, biblioteca, balneários, gabinetes administrativos.
Para cada um deles, o liceu é uma experiência diferente: amistosa, traumática, estimulante, solidária, difícil. É um belo dia de Outono. Eli, o fotógrafo, convence um casal punk a deixar-se fotografar a caminho da escola. John deixa as chaves do carro na secretaria para o irmão mais velho ir buscar o pai. Nate termina o treino de futebol e vai encontrar-se com a namorada. Brittany, Jordan e Nicole coscuvilham nos corredores e comentam as chatas das mães que andam sempre a espreitar o que elas andam a fazer. Michelle corre para a biblioteca enquanto Eli tira uma fotografia a John.
Ficha técnica: Realizador:Jean Renoir Ano: 1951 País: Estados Unidos da América, França, India Duração: 99 min. Cor: Cor Idioma: Inglês Legendas: Português Sessão apresentada por José Manuel Costa
Sinopse: The River é um filme de uma beleza indesmentível. Nele, Jean Renoir dá-nos nova prova – como se tal fosse necessário – de todos os seus atributos enquanto cineasta. Este é um filme sobre a Índia onde o lugar comum dos tigres e dos elefantes não tem lugar. Pelo contrário, estamos perante o filme que retrata a visão da Índia de Renoir, o espectador atento que procurou transmitir a sua impressão deste local remoto. Surge, assim, uma visão serena, de um estilo de vida contemplativo onde tudo tem um significado e, apesar disso, onde a religião e a crença imperam. Com efeito, este é o filme dos altares sacrificiais. Sobre todos estes universos paralelos impõe-se o rio: sereno, sempre seguindo o seu curso, tal como a vida. Nele se nasce e nele se morre. Daí que, tal como a vida, flua inexoravelmente para o seu destino. Não pára. Continua. As águas passam, mas fica o Mundo que o viu correr. E essa é, talvez, a grande mensagem de The River. Mais do que concentrarmo-nos num passado distante, apenas conta o presente. O rio é sinónimo de vida. No caso de Renoir, é sinónimo de reencontro com a felicidade.
Realizador:Alain Resnais Ano: 1959 País: França, Japão Duração: 90 min. Cor: P&B Idioma: Inglês, Françês e Japonês Legendas: Português Sessão apresentada por Maria José Palla
Sinopse: É quase manhã. Mãos femininas acariciam uma espádua masculina. Sobre a cama, carinhosamente enlaçados, estão um homem e uma mulher envolvidos pelo resto da escuridão da noite que haviam passado juntos. Ela é uma actriz francesa que havia ido a Hiroshima rodar um filme. Ele um arquitecto japonês. O homem encostado sobre o ventre da amante está adormecido. A sua mão move-se vagamente como em um sonho. Esta mão lembra a mulher os incertos movimentos de agonia de um soldado alemão que durante a Segunda Guerra, em Nevers, havia sido o seu primeiro amante. Ambos dizem que são felizes com suas respectivas famílias. O amor surge entre eles, porém sabem que não o podem incluir no mundo ordenado das suas vidas. Um dia, uma noite. Estão ligados por este breve tempo que não podem nem prolongar nem se evadir dele. Porém neste espaço de tempo ressurgem as recordações: nela, a da sua juventude durante a ocupação alemã a Nevers; nele, o desastre de Hiroshima. As dolorosas recordações fundem-se e a angústia apodera-se deles. Entretanto, para poderem viver devem esquecer o que se passou nas suas vidas. Esquecer o passado é se livrar das recordações do pior dos males modernos: o temor atómico.
Sinopse: Manuel Garrido – abastado lavrador, criador de touros e hábil cavaleiro tauromáquico – vê a sua razão de pessoa sensata escravizada pelo seu coração impetuoso, quando duas mulheres lhe cabem no destino: Branca, toda sensibilidade e doçura, símbolo das virtudes da mulher portuguesa; e Nina, cantora estrangeira, estonteante e dominadora. Manuel vê-se dividido entre as duas mulheres. Branca sofre pelo afastamento de seu noivo, enquanto Nina, mulher frívola e fútil, se diverte com a situação. Da tremenda luta que se trava no espírito de Manuel Garrido, vencerá a prudência, que traz como prémio os mais apoteóticos triunfos na arena.
Sinopse: A Comédia de Deus de João César Monteiro, é a segunda longa-metragem da trilogia que o retrata como alter-ego na figura de João de Deus, sendo a primeira delas Recordações da Casa Amarela e a terceira As Bodas de Deus. A trilogia explora, com repetidas referências autobiográficas, num estilo sarcástico, com humor mal-humorado, a personagem de Deus, o protagonista, encarnado num bem humano pobre diabo. O resultado pretendido é traçar uma caricatura de alguém menos virtuoso que vicioso, autor e actor de inqualificáveis comédias num mundo hipócrita, com abundantes referências literárias, artísticas e filosóficas. O filme, dedicado à memória de Serge Daney, crítico da revista francesa Les Cahiers du Cinema e amigo de Monteiro, estreia em Lisboa nos cinemas Condes, King e Monumental, a 19 de Janeiro de 1996.
Realizador:Larry e Andy Wachowski Ano: 1999 País: Austrália, Estados Unidos da América Duração: 136 min. Cor: Cor (Tecnicolor) Idioma: Inglês Legendas: Português Sessão apresentada por José Augusto Mourão
Sinopse: The Matrix tem como tema a luta do ser humano, por volta do ano de 2200, para livrar-se do domínio das máquinas que evoluíram após o advento da inteligência artificial. A humanidade cobriu a luz do sol para cortar o suprimento de energia das máquinas, mas elas perceberam que cada ser humano produz, em média, 120 volts de energia eléctrica, e começaram a cultivá-los como fonte de energia. Para que o cultivo fosse eficiente, os seres humanos passaram a receber programas de realidade virtual, enquanto os seus corpos reais permaneciam mergulhados em habitáculos nos campos de cultivo. Essa realidade virtual, que é um programa de computador ao qual todos são conectados, chama-se Matrix e simula a humanidade do final do Século XX. Há, porém, perto do calor do centro da terra, uma última cidade de seres humanos livres, que mandam missões em naves para combater as máquinas. O líder de uma dessas missões é Morpheus, um visionário que vislumbra em um dos habitantes da matrix o "escolhido", que vem a ser Neo, vivido por Keanu Reeves. Neo é resgatado de seu casulo, sacado da ilusão da realidade virtual e passa a ser treinado por Morpheus. A questão filosófica principal que o filme traz é justamente essa: O que é o real?
Terça-feira 20 de Maio, o Cineclube Supernova irá exibir "Renaissance" de Christian Volckman. A sessão terá início pelas 21h30 no Auditório 1 da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e será apresentada por Marco Madruga.
Ficha técnica:
Realizador:Christian Volckman Género: Acção/Aventura Argumento:Mathieu Delaporte, etc Ano: 2006 País: França/Inglaterra/Luxemburgo Duração: 105 min Animação 3D Preto & Branco Idioma: Francês Legendas: Inglês
Sinopse: Num futuro não muito distante, numa Paris de acrílico, muitas vigas de aço e superfícies polidas e aerodinâmicas, desenrola-se uma conspiração sinistra...Renaissance é um filme de animação 3D, dentro do género tech-noir, que nos faz lembrar os ambientes de "Metrópolis", "Blade Runner" e "Sin City". O filme apresenta uma estética muito interessante, quase na totalidade com pretos e brancos em alto contraste. Os ambientes estão muito bem conseguidos, mostrando Paris em 2054 com cenários fantásticos, incluindo todos os locais mais famosos rigorosamente apresentados. O filme usa a técnica de "motion capture" para criar movimentos realistas na animação das personagens. O orçamento de Renaissance foi de 15 milhões de euros.